Com máquina de costura de R$ 800 comprada a prestações, mãe e filha lideram negócio que mira R$ 1,2 milhão
A Divina Agulha, empresa de brindes e personalizados, nasceu há dez anos dentro de casa, com uma máquina de costura doméstica comprada a prestações por cerca de R$ 800. Natural de Aurelino Leal (BA), Jô Melo chegou a São Paulo aos 13 anos para trabalhar como empregada doméstica e, anos mais tarde, encontrou no artesanato e na confecção de panos de prato uma alternativa para complementar a renda.
A história começou a mudar quando a nora de Jô viu nas redes sociais o anúncio de um projeto social. Tratava-se do Costurando Futuro, iniciativa da Fundação Grupo Volkswagen em parceria com a Aliança Empreendedora que oferecia capacitação técnica e orientações de gestão. A participação no programa deu a baiana acesso a insumos, como tecidos automotivos e cintos de segurança descontinuados, além do conhecimento necessário para transformar a costura em um negócio. “Foi o início de uma mulher que obteve coragem e viu que podia fazer alguma coisa, porque ia ter um apoio. Entendi que não estava sozinha ali”, relembra.
Durante esse processo nasceu oficialmente a Divina Agulha e Jô se formalizou como microempreendedora individual. “Os cursos básicos que a gente teve sobre gestão nos fez ser uma empresa com mais funcionários. O que veio lá de 2016 reverbera ainda nas nossas vidas”, diz.
Pandemia acelerou crescimento
A transição da confecção artesanal para produtos corporativos ganhou força com a participação em bazares e os primeiros atendimentos para empresas como Volkswagen e Unilever. No entanto, o principal salto na estruturação e na expansão do negócio aconteceu durante a pandemia de covid-19.
Com a suspensão dos eventos presenciais, a empresa passou a produzir máscaras de proteção. Entre elas, modelos com visor transparente voltados a pessoas com deficiência auditiva. A empresa também atendeu grandes encomendas da montadora para suas fábricas.
Nesse período, a gestão do negócio ganhou o reforço definitivo de Jéssica Melo, filha de Jô, que assumiu a organização operacional e o relacionamento com a rede de costureiras. “Foi aí que descobri o talento dela, porque ela começou a coordenar a expansão da empresa, da equipe”, diz.
Hoje, a Divina Agulha está consolidada no mercado corporativo de brindes e personalizados. Entre os clientes estão Volkswagen, Audi, Unilever, Farm, BASF, Toyota e Avon. A empresa conta com sede própria, 12 máquinas profissionais, seis funcionários registrados, dois vendedores e projeta faturar R$ 1,2 milhão em 2026.
A operação está dividida em três frentes principais: produtos de confecção própria, como mochilas, necessaires, ecobags e bolsas; itens corporativos importados, como squeezes e cadernetas; e kits integrados desenvolvidos para empresas.
A liderança também é compartilhada pela família. Jéssica explica como a gestão funciona no dia a dia: “A minha mãe e o meu pai ficam responsáveis pela área da produção em si, da confecção, de ensinar, de ver material, de estar ali com os costureiros. Eu fico responsável pela área administrativa, vendas, comercial. Tudo que deixa louco: compra, organização de produção”.
Nova sede e retribuição social
Com o ritmo acelerado de crescimento, o espaço atual ficou pequeno. Com isso, a Divina Agulha já planeja a mudança para uma nova sede, com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva e oferecer uma estrutura melhor para a equipe.
Paralelamente à expansão física, mãe e filha compartilham o desejo de transformar a trajetória da empresa em impacto social. O plano é criar uma grande oficina voltada à capacitação de mulheres de baixa renda e jovens com dificuldade de acesso ao mercado formal de trabalho. “A Divina Agulha existe porque alguém quis servir. A gente tem como compromisso nosso servir também a sociedade”, ressalta Jéssica.
Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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