Atendimento em todo o BrasilSoluções empresariais com especialistas, onde o seu negócio estiver.

Atendimento nacional Fale conosco

Brasileiro troca de emprego em 18 meses; na B3, a permanência média é de quase 6 anos

O tempo que o brasileiro fica no mesmo emprego caiu 27% em quatro anos. Segundo a FecomercioSP, em 2021, a média era de 25,2 meses (pouco mais de dois anos); em 2025, reduziu para 18,4 meses (cerca de um ano e meio).

 

Na B3, companhia que opera a bolsa brasileira, o movimento é o oposto. Um levantamento interno e inédito mostra que os funcionários permanecem, em média, 5 anos e 11 meses na empresa, quase quatro vezes a média nacional.

 

Para Renata Caffaro, diretora de pessoas e comunicação interna da B3, a diferença da média nacional não é explicada por uma ação isolada, mas, na verdade, por uma ‘fórmula’ com três ingredientes: um modelo de trabalho que o mercado abandonou, um volume de treinamento acima do padrão e uma proposta desenhada para a geração que, em tese, não quer ficar.

 

 

Como a B3 faz para reter 4 vezes mais?

 

 

O primeiro ingrediente é o mais visível. Enquanto a maioria das empresas, especialmente as do mercado financeiro, determinou o retorno presencial, a B3 manteve o formato desde a pandemia: 60% do tempo no escritório e 40% remoto, com horário flexível e uma parcela do quadro 100% a distância.

 

 

A decisão não foi improviso. Antes de 2020, os funcionários já podiam ficar até dois dias por semana fora do escritório, todos com notebook, o que acelerou a migração para o online no isolamento e facilitou a permanência do modelo depois dele. “Durante todo esse período em que muitas companhias voltaram, a gente sempre manteve a nossa proposta”, diz Caffaro.

 

 

Com o tempo, a flexibilidade deixou de ser benefício interno e virou argumento de recrutamento. “Quando eu vou para o mercado, o modelo é chave para a tomada de decisão das pessoas virem trabalhar aqui ou em outro lugar”, diz.

 

 

O segundo ingrediente é uma conta de negócio. A B3 reúne tecnologia, serviços financeiros, operações e dados sob o mesmo teto, e boa parte das funções só existe ali: quem chega do mercado conhece os produtos da bolsa, mas não o dia a dia da operação, e formar esse profissional leva tempo. Perder alguém pronto significa refazer um aprendizado que não se encontra fora. 

 

 

Por isso a companhia investe mais de 150 mil horas de formação por ano, com foco em inteligência artificial e dados e parceiros como Amazon e Microsoft. Todos os funcionários têm plano de desenvolvimento individual, e o recrutamento interno é tratado como consequência natural: quem já conhece a casa se adapta mais rápido ao mudar de cadeira. “É uma via de mão dupla. A gente investe nas pessoas e elas trazem retorno para a B3”, diz Caffaro.

 

 

O terceiro ingrediente é o menos intuitivo: aceitar que parte das pessoas vai sair. Segundo a diretora, a geração anterior escolhia empregadores por performance e remuneração, enquanto a atual olha para trabalho flexível, diversidade e segurança em sentido amplo. “Não estou falando só de saúde. Estou falando de segurança financeira, física, psicológica, mental”, diz. 

 

 

Em vez de tratar a rotatividade dessa geração como ameaça, a B3 mantém a porta aberta para quem performa bem, e parte dos que saem acaba voltando com experiência de outras empresas. “Tem muita gente que sai para o mercado, tem outras experiências, mas quer voltar para a B3”, diz.

 

 

O próximo teste da fórmula

 

 

Os quase seis anos de casa dependem de a formação continuar fazendo sentido, e a inteligência artificial vai testar isso. 

 

 

A companhia começou a mapear as competências do quadro atual para realocar funcionários em funções novas à medida que a tecnologia assume tarefas, um trabalho que Caffaro descreve como permanente. “A gente pisca e vem mais alguma coisa de inteligência artificial”, diz.

 

O plano não passa por cortes, e sim por manter as mesmas pessoas em trabalhos diferentes. “A gente não pretende não ter as pessoas aqui. A gente pretende ter pessoas aqui fazendo outras coisas.”

 

Posts relacionados

Gestão do RH, por Redação

IBGE mostra queda no número de brasileiros que trabalham de casa

Gestão do RH, por Redação

Metade dos trabalhadores aponta o dinheiro como maior causa de preocupação, diz pesquisa

Gestão do RH, por Redação

Maioria dos bilionários não acha que funcionários ficarão remotos

Gestão do RH, por Redação

Funcionários do Airbnb poderão trabalhar de onde quiserem

Gestão do RH, por Redação

Meu chefe é uma barreira para novas ideias: posso pular a hierarquia para mostrar um projeto para outro líder?

Gestão do RH, por Redação

Trabalho em home office tende a continuar após fim da pandemia

Gestão do RH, por Redação

Como atrair e reter talentos femininos em uma indústria dominada por homens

Gestão do RH, por Redação

Quais são as melhores estratégias de comunicação na crise?

Gestão do RH, por Redação

Cinco coisas que você precisa fazer para a sua equipe engajar mais em 2021

Deixe seu Comentário:

Fonte: matéria publicada originalmente em RH Notícias. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.

Ler no portal