Jovem que passou em Medicina várias vezes cria cursinho online que já faturou R$ 10 milhões
Vinícius Oliveira, 24 anos, fundador da Plataforma Vinícius Oliveira (PVO), de cursinho online para o Enem, faturou R$ 4 milhões em 2025 e projeta cerca de R$ 5 milhões em 2026. Desde o início da operação, em 2021, a receita acumulada passa de R$ 10 milhões. A empresa, sediada em Cuiabá (MT), tem mais de 40 funcionários e já teve mais de 2 mil alunos matriculados.
O negócio nasceu de um vídeo gravado em 2020, na noite da prova do Enem. Oliveira morava em Campo Verde (MT), no interior do estado, e fazia artes gráficas para o comércio local. Tinha acabado de fazer o exame e publicou no YouTube os acertos que havia conferido no gabarito. O vídeo teve audiência e levou o estudante a produzir conteúdo sobre vestibular.
Oliveira terminou o ensino médio em 2019 e não foi bem no Enem daquele ano. Em 2020, sem dinheiro para um cursinho, estudou em casa com aulas do YouTube e material gratuito. No meio do ano, descobriu que seria pai. Ele conta que a notícia aumentou a pressão, mas também a dedicação.
Tirou média de 810 pontos e foi aprovado em Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Soube do resultado no dia em que o filho nasceu. Por causa da pandemia, o curso só começou no fim de 2021. Nesse intervalo, ele passou a vender mentorias de estudo pelo Instagram.
“Eu não sabia precificar, não sabia nada sobre marketing digital. Ia com base na minha cabeça, no que dava certo”, diz. No início, cobrava R$ 20 por mês para acompanhar cada aluno.
Fez o Enem de novo em 2021 e em 2022, e foi aprovado em Medicina nas duas vezes, com mais de 800 pontos de média. A rotina integral da faculdade o levou a trocar as mentorias individuais por um curso gravado, o “800 no Enem”, que já foi descontinuado.
A plataforma e o primeiro milhão
Em 2023, Oliveira passou a dar aulas das matérias, em lives de seis a sete horas no YouTube, que chegavam a 2 mil pessoas simultâneas. No fim daquele ano, lançou a PVO e vendeu o primeiro milhão de reais em um único lançamento. Nesse período, entrou na empresa um amigo de infância que trabalhava com tráfego pago.
Em 2024, Oliveira trancou a faculdade para gravar as aulas de todas as disciplinas. A plataforma oferece conteúdo do nível básico ao avançado, resolução de questões, simulados e monitoria de dúvidas. Há também um cronograma individual, gerado por algoritmo a partir das horas que o aluno tem disponíveis por dia.
O tíquete médio é de R$ 2 mil. As turmas de início de ano custam R$ 3 mil e o intensivo, lançado entre junho e julho, sai por R$ 2 mil. O acesso vai, em geral, até 31 de dezembro.
A empresa contabiliza mais de 500 aprovações desde a criação da plataforma, com uma aprovação por aluno, mesmo que ele passe em mais de uma instituição. Em 2024 e 2025, foram mais de 400 em Medicina, em universidades públicas ou com bolsa integral do Prouni. A projeção é de mais 200 aprovações em Medicina com a turma de 2026, cujos resultados ainda dependem do Enem.
Delegar e criar processos
Com a equipe maior, o principal problema foi a gestão. “Eu gostava de controlar tudo, porque achava que a minha forma era a única possivelmente correta”, diz Oliveira. Ele comprou cursos de gestão e, com o sócio, criou processos por setor: roteiros de abordagem para o time comercial, aulas internas para quem produz as apostilas e indicadores mensais de cada área.
O momento mais difícil veio no fim de 2024. Com o faturamento em alta, Oliveira trabalhava “das 5h às 23h, de segunda a segunda” e passou a duvidar do rumo do negócio. Ele diz que a dúvida passou em 2025, com as aprovações dos primeiros alunos da PVO no Enem 2024.
Dependência do YouTube e da imagem
A principal fonte de alunos é o YouTube, com conteúdo gratuito e sem anúncios. Segundo Oliveira, o aluno costuma assistir a três ou quatro vídeos antes de comprar. O Instagram tem papel menor e recebe tráfego pago, usado para montar listas de espera antes da abertura de turmas. O canal soma mais de 10 milhões de visualizações, e o perfil no Instagram, 180 mil seguidores.
A empresa depende da presença do fundador. “Se eu sumisse amanhã, a empresa deixaria de existir, porque todo o conteúdo depende da minha participação na câmera”, afirma. Ele diz que, quando reduz a produção, percebe queda nas vendas e no engajamento. “O conteúdo é a energia vital do negócio.” Oliveira calcula que levará de cinco a dez anos para reduzir a exposição.
Para Oliveira, a pandemia mudou a forma como o aluno vê o ensino a distância. Quem antes descartava o cursinho online passou a aceitá-lo. A oferta de cursos e de criadores de conteúdo cresceu desde então. Na avaliação dele, as plataformas que crescem são as que têm uma pessoa à frente. “Os cursos que estão crescendo e permanecendo no mercado são aqueles em que existe a personalidade de alguém por trás.”
Cerca de 70% dos alunos da PVO estão no terceiro ano do ensino médio ou acabaram de concluí-lo. Aproximadamente 60% são mulheres, a maioria tem de 18 a 20 anos, e 90% prestam o Enem. A maior parte vem do Nordeste e do Sudeste.
A empresa não pretende ampliar a equipe. Os planos para 2027 incluem cursos voltados a vestibulares específicos, com a redação e as obras literárias cobradas por cada prova, e a venda de apostilas impressas. A longo prazo, Oliveira cogita abrir uma sede presencial, no formato de cursinho ou de espaço de estudo.
A meta é chegar a 1.000 aprovados em Medicina nos próximos três anos, a partir de uma base de 10 mil alunos ativos. “É uma métrica difícil, mas plausível”, diz.
Se começasse de novo, Oliveira diz que teria priorizado as aulas abertas no YouTube em vez das mentorias individuais, e que teria delegado tarefas e buscado um sócio mais cedo. “Fazer uma empresa de grande porte sozinho é impossível.”
Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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