Atendimento em todo o BrasilSoluções empresariais com especialistas, onde o seu negócio estiver.

Atendimento nacional Fale conosco

Do vôlei aos negócios: 6 lições de Bernardinho para montar equipes vencedoras

Lidar com rejeições é uma habilidade essencial para quem empreende, segundo o treinador Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho. Na 10ª edição do Day1 Endeavor, realizada na Sala São Paulo, na capital paulista, na última semana, ele reuniu aprendizados da carreira no esporte e da atuação como empreendedor para mostrar como líderes podem formar e manter equipes de alto desempenho.

A seguir, confira seis lições compartilhadas pelo treinador de volêi que acumula seis medalhas olímpicas consecutivas:

1. Aprender a lidar com os ‘nãos’

A primeira lição apresentada por Bernardinho envolve o início de sua trajetória no voleibol do Rio de Janeiro. Ao relatar que era frequentemente mandado embora dos treinos por seu primeiro treinador após se desentender com o irmão, ouviu de seus pais o conselho de não desistir: “Engole o choro, volta lá amanhã e prova que você é melhor”. Anos depois, ao questionar o treinador sobre a razão das punições, ouviu que “os nãos foram propositais, os nãos de aprendizado”.

Para o ecossistema de negócios, Bernardinho conectou essa vivência ao processo de captação e validação de projetos. “Quem quer empreender e ainda não sabe lidar com os nãos não vai empreender. Quantos nãos antes de alguém vir investir no nosso negócio? Quantos nãos antes de um sim?”, questiona.

2. Escolher as pessoas certas

Ao migrar temporariamente para o setor de alimentação no Rio de Janeiro após encerrar a carreira como atleta, o treinador vivenciou o peso da escolha de sócios e colaboradores. Ele ressaltou que a seleção do time precede a ideia do negócio.

“Qual é a primeira pergunta que você faz quando vai começar um negócio? Com quem. Uma pequena ideia, um pequeno negócio, um pequeno projeto com as pessoas erradas vai dar errado. Um grande projeto com as pessoas erradas vai dar errado. Um pequeno projeto com as pessoas certas, eles vão fazer dar certo”, ressalta.

3. Cultivar a resiliência

Em 1989, aos 29 anos, Bernardinho aceitou o desafio de treinar uma equipe na Itália que ocupava a última colocação na liga local. Ao comunicar a decisão ao pai, recebeu um conselho que passou a nortear suas decisões em momentos de adversidade: “O que você ama fazer? Então, vai e faz bem feito, mas só volta quando der certo.”

O treinador afirmou que recorre a esse direcionamento em cenários de crise. “Toda vez que me deparo com uma situação de dificuldade eu lembro dele: ‘só volta quando der certo’.” Na Itália, assumiu a equipe rotulada pela imprensa local como “insalvável”, evitou o rebaixamento, alcançou o vice-campeonato na temporada seguinte e conquistou a Copa Itália três anos depois.

4. Gerenciar expectativas

À frente da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei na preparação para os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, Bernardinho fez a promessa às atletas de que disputariam a final contra Cuba. Contudo, após uma derrota por 3 a 2 na semifinal, percebeu o erro de se comprometer com resultados que não dependiam exclusivamente de sua equipe. “Nunca prometam aquilo que vocês não podem cumprir”, alerta.

Durante o treino preparatório para a disputa do terceiro lugar, diante da lamentação e do desgaste das jogadoras, o técnico interrompeu a atividade e deu novas orientações sobre a postura do grupo. “O foco tem que estar no amanhã”. A equipe venceu a Rússia na partida subsequente e conquistou a medalha de bronze olímpica.

5. Manter o espírito de aspirante: ‘Aos campeões, o desconforto’

Após assumir a Seleção Brasileira Masculina em 2001 e conquistar títulos consecutivos — Liga Mundial, Campeonato Mundial, Copa do Mundo e a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas 2004 —, o treinador passou a lidar com o desafio da manutenção no topo.

A partir desse contexto, formulou a diretriz de gestão: “É mais difícil chegar lá ou se manter lá? Como é que você mantém um time campeão sendo campeão? Como é que você mantém campeões que não percam o seu espírito de aspirante? Daí nasce a máxima: aos campeões, o desconforto.” Como prática de liderança para evitar a acomodação, Bernardinho antecipava em uma hora o início dos treinos a cada grande conquista.

6. Líder como guardião inegociável dos valores

Em 2007, diante de transgressões de conduta por parte de um atleta de destaque, o treinador tomou a decisão de desligá-lo da equipe, priorizando a cultura do grupo em detrimento do rendimento individual imediato. “O líder é o guardião de valores. Posso negociar uma remuneração, uma carga horária, mas não valores. Os princípios da nossa instituição não podem ser negados”, frisa.

Bernardinho mencionou também o desligamento de outros atletas em momentos decisivos por queda de rendimento técnico, reforçando a separação entre relações pessoais e compromisso profissional. “Não podia confundir o CPF com CNPJ. Precisava privilegiar o time”, pontua.

Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.

Ler no portal