Joalheira do broche usado por Alice Carvalho e que repercutiu no Oscar já formou 100 alunos
No Oscar de 2026, o Brasil foi um dos protagonistas da noite, sobretudo pelas indicaçõe de “O Agente Secreto”. Mas não foi só o filme ou o elenco que ganhou destaque naquela noite: um acessório usado pela atriz Alice Carvalho gerou repercussão nas redes sociais nacionais e internacionais.
O broche Abya Yala, desenvolvido pela joalheira Luiza Simões em colaboração com a marca brasileira Normando, propõe inverter a representação tradicional da América Latina e reposicionar o território no lugar que, segundo a criadora, sempre deveria ocupar
O nome do broche carrega justamente esse significado decolonial: Abya Yala é o nome dado pelo povo Kuna a esse território antes da colonização e significa “terra que floresce”, “terra viva” ou “terra madura”. Para Simões, estar no Oscar com a peça é sentir que está “exatamente onde eu devia estar e onde eu busquei estar”.
A criação do broche foi feita no ateliê de sua marca autoral, a OPVS, que já vestiu outras personalidades como Marina Sena, Erika Hilton e Urias. Em paralelo, Simões também comanda uma escola de ourivesaria, a OPVS Studio, localizada em São Paulo, que já recebeu mais de 100 alunos em três anos de funcionamento.
A trajetória da empreendedora começou na bancada, entre serras, soldas e ferramentas para modelar o metal. Ela foi aluna de outro ateliê de ourivesaria, onde, mais tarde, se tornou professora. Quando a antiga escola fechou, viu a possibilidade de abrir um espaço próprio, incentivada pelos alunos, que se ofereceram para pagar antecipadamente pelas matrículas e ajudá-la a comprar parte dos equipamentos. Ela conta que precisou de um empréstimo apenas para adquirir uma laminadora, uma das máquinas mais caras, já que os demais equipamentos foram comprados aos poucos.
Hoje, a escola oferece cursos divididos em três módulos, do iniciante ao avançado. No primeiro, os alunos aprendem técnicas básicas de ourivesaria, mesmo sem nunca terem tido contato com a atividade. No intermediário, desenvolvem peças com maior complexidade técnica e acabamento mais elaborado. Já o avançado é voltado a quem deseja aprofundar os conhecimentos, desenvolver ideias próprias e começar a estruturar uma coleção autoral.
O curso completo tem 30 horas, custa R$ 4.890 e inclui todos os materiais necessários para as aulas, buscadas por muitas pessoas buscam com o objetivo de ter uma nova profissão. “Eu sempre disse que queria que a minha marca não fosse só uma marca, que fosse algo a mais. Sempre quis que tudo isso fosse uma imersão, uma experiência e que, de alguma forma, eu conseguisse atuar na sociedade. Essa parte de ensino sempre fez muito sentido para mim”, diz Simões.
Um exemplo do impacto da escola é Catarina Sales. Ela conheceu o trabalho de Simões como cliente e começou a fazer o curso aos 17 anos. Aos 19, já administra a própria marca de joias no mesmo endereço da escola.
“Eu tive base para muitas técnicas da joalheria, que me deram autonomia na bancada para lidar com o que eu ainda não conhecia e descobrir sozinha”, conta Sales. Para ela, aprender os fundamentos permitiu explorar possibilidades e entender que tipo de trabalho queria desenvolver.
Ao mesmo tempo em que administra a escola, Simões mantém a própria marca de joias. Esse trabalho duplo, segundo ela, exige organização e uma equipe em que possa confiar. “Gerir duas empresas ao mesmo tempo não é fácil. Os desafios estão sempre em como você vai conseguir fazer isso continuar rodando. Ter uma equipe com a qual eu possa contar sempre foi fundamental para mim”, afirma.
Formada em artes cênicas, Simões também cuida da identidade visual das coleções da OPVS. Ela planeja os roteiros dos vídeos que apresentam os designs ao público, buscando criar uma conexão entre a narrativa e a peça. “A gente trouxe uma linguagem do cinema, que foi muito importante para conseguir vender nosso produto e dizer o que ele é, porque não é só uma joia. Tem muita narrativa por trás”, explica.
Além da presença no Oscar em 2026, a empreendedora participou, no ano anterior, de eventos de joalheria e moda em Milão e Paris. Agora, planeja ampliar os projetos no Japão, nos Estados Unidos e em outros países da Europa. A presença de uma peça sua no Oscar representa mais um passo nessa trajetória, mas não elimina os desafios de manter os negócios em funcionamento e encontrar novas oportunidades.
“Nem tudo é fácil. Às vezes, parece que a gente chegou ao lugar em que queria estar, mas surgem desafios que nem imaginávamos como enfrentar. E é aí que eu acho que vem o lugar do empreendedor: ter que inventar”, afirma.
Confira a seguir a reportagem completa exibida no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo:
Empreendedora cria escola de ourivesaria e leva joia ao Oscar
Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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