market4u, de mercados autônomos, aposta em preço dinâmico e totem próprio para alavancar faturamento
Como aumentar o lucro em um setor que opera com margens apertadas? Foi em busca de uma resposta para esta pergunta que o market4u, rede de mercados autônomos instalados em condomínios residenciais e corporativos, decidiu apostar na verticalização integral do seu ecossistema de tecnologia para levar duas novas soluções às suas unidades: um sistema algorítmico de precificação dinâmica e uma nova geração de totens de autoatendimento. A projeção da companhia é que o ganho de eficiência técnica adicione R$ 64,8 milhões por ano à rede, o equivalente a um salto de 11% no faturamento médio por ponto de venda.
De acordo com Eduardo Córdova, CEO do market4u, a decisão de internalizar o desenvolvimento tecnológico foi motivada pela ausência de ofertas no mercado compatíveis com o que a companhia buscava. “Olhamos todas as soluções que existiam no mercado e nunca encontramos uma que a gente acreditasse ser a adequada ou que conseguíssemos personalizar conforme acreditávamos ser o melhor”, diz. Além disso, segundo ele, produzir em casa elimina custos de intermediação e dá autonomia para evoluir o sistema sem depender de fornecedores.
Segundo o CEO, o desenvolvimento partiu de um mapeamento proprietário sobre 50 milhões de transações já realizadas na rede, que hoje processa cerca de 2,2 milhões de compras por mês. O levantamento mostrou que metade dos produtos vendidos é diretamente influenciada por estratégias comerciais e ações de marketing da rede.
No caso da precificação, Córdova avalia que o desafio era operacional. Cada loja trabalha com cerca de 900 produtos diferentes, enquanto o catálogo da rede soma 30 mil itens. “É muito difícil humanamente precificar cada um desses itens. Com tecnologia, isso hoje é possível”, afirma o CEO. Para isso, o algoritmo cruza dados de mercado, elasticidade de preço, giro de estoque, validade de perecíveis e sazonalidade para reajustar os preços a cada 15 dias. A análise é feita loja por loja, já que o mix e o perfil de consumo podem variar em cada ponto de venda.
Com a automação algorítmica, o CEO afirma que franqueado deixa de realizar marcações manuais de preços e passa a contar com uma inteligência que estimula o giro de mercadorias críticas, minimizando perdas operacionais. O sistema passou por testes em 120 lojas ao longo de aproximadamente 90 dias e já opera em 960 unidades. A meta é chegar a cerca de 2 mil pontos até o fim de 2027. Nas lojas-piloto, a empresa afirma ter reduzido os casos em que o consumidor desiste da compra no momento do pagamento e aumentado a margem média dos franqueados.
De acordo com o executivo, a lógica de preço separa dois tipos de mercadoria. De um lado, produtos de urgência, comprados por impulso ou por falta de última hora, sustentam margens mais altas; de outro, itens de indulgência exigem mais competitividade, já que a empresa avalia que o morador pode recorrer ao delivery ou a outra loja de conveniência.
Franquias:
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Córdoba também destaca que o franqueado ainda pode fixar manualmente o preço de um item específico caso deseje. “Se um condomínio teve alguma demanda específica, alguma reclamação por um item que podem estar achando caro, o franqueado consegue ir nesse item e colocar um preço fixo. O sistema redistribui a margem pelos outros itens de acordo com o giro do estoque”, diz. O uso da ferramenta é cobrado do franqueado, com um custo mensal de R$ 130 por loja.
O novo totem de autoatendimento proprietário da marca seguiu caminho parecido. A rede usava uma maquininha de cartão portátil com leitor de código de barras acoplado e integrava o equipamento a um sistema da empresa. Já o novo equipamento, testado em 30 lojas, tem leitor mais rápido, reconhecimento facial e exige menos cliques do cliente.
Cada unidade do totem custa cerca de R$ 6 mil. A rede planeja instalar 1 mil totens nos próximos 12 meses, o que deve consumir R$ 6 milhões em hardware, além de R$ 2 milhões em time de desenvolvimento.
“O totem é algo que já tinha uma cobrança muito grande da rede para existir, então já temos uma grande fila de espera para colocar nas lojas”, diz Córdoba. O equipamento será locado pelos franqueados. A empresa estuda a possibilidade de, no futuro, licenciar a solução para uso de outras marcas.
Somados, os dois projetos exigiram um investimento de cerca de R$ 7 milhões até o momento. Com base nos resultados observados entre as duas tecnologias até agora, a meta é elevar o faturamento médio em 11% por ponto de venda. Quando projetado sobre a base instalada de 2,7 mil lojas, o ganho médio por PDV representa uma expansão de R$ 5,4 milhões por mês transacionados no ecossistema, equivalente aos R$ 64,8 milhões adicionais projetados por ano.
Os investimentos em tecnologia fazem parte da estratégia da companhia para chegar a um IPO (Oferta Pública Inicial, processo pelo qual uma empresa de capital fechado vende suas ações ao público na bolsa de valores pela primeira vez), previsto para 2030.
As tecnologias também devem ser levadas para as primeiras operações da empresa no exterior, previstas para este ano. A rede vai iniciar a expansão internacional pelos Estados Unidos com quatro operações na Flórida em sociedade com um operador local. A companhia prevê um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão na fase de validação do projeto, que terá como objetivo adaptar o modelo brasileiro às particularidades do mercado norte-americano antes de avançar para uma expansão por meio de franquias.
A rede faturou R$ 300 milhões em 2025 e projeta R$ 500 milhões em 2026. Segundo o CEO, cerca de 80% do avanço vem da abertura de lojas, com média de 46 novos franqueados por mês; os outros 20% vêm de ganho de faturamento nas unidades existentes.
Fonte: matéria publicada originalmente em pegn. Reproduzimos o conteúdo aqui, com crédito ao veículo de origem.
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